Saber gastar é o segredo do dinheiro

Perguntei no Instagram recentemente sobre qual tema vocês achavam mais interessante para eu abordar em um novo post aqui no blog. Meio que deu um empate técnico entre falar sobre dinheiro e falar sobre a minha vida pessoal. A outra opção, que era falar sobre minha vida em Dubai, ficou em terceiro lugar, só que com número de votos bem parecido. Em outras palavras, entendo que esses três temas interessam bastante à maioria de vocês, então esses serão os temas dos meus próximos posts aqui, começando hoje com um post sobre dinheiro.

Existe um segredo de valor inestimável que é extremamente simples, só que ao mesmo tempo pouca gente pensa sobre e compreende. Ele vem da frase (que não lembro quem falou), que é mais ou menos assim: “Se a pessoa não consegue viver com R$1000, então ela não conseguiria viver com R$1 milhão.” O que isso quer dizer? Que o segredo de se ter dinheiro está em como você gasta e usa o dinheiro, muito mais do que o quanto dinheiro você ganha. É por isso que vemos tanta gente pobre que ganha na mega-sena, e um ano depois está pobre igualzinho antes – ou até mais. É por isso que tem tanto jogador de futebol milionário que no fim da vida está pobre e endividado. É por isso que gente como o Mike Tyson chegou a ter milhões de dólares parados na conta, e teve que declarar falência absoluta ao não conseguir pagar suas dívidas. O quanto você ganha não faz diferença. O que determina a sua saúde financeira é a sua inteligência financeira – como o seu dinheiro é utilizado.

Vou dar um exemplo que ilustra isso perfeitamente:

Temos duas pessoas, vamos chamá-los de João e Maria (super criativo!). Ambos têm 25 anos de idade, trabalham na mesma empresa, e ganham um salário fixo mensal de R$5000. Os dois também têm custos fixos de vida idênticos – aluguel, eletricidade, gás, etc. João leu uns livros sobre dinheiro no fim de semana, assistiu uns vídeos no YouTube sobre esse tema, e desenvolveu uma inteligência financeira razoável. Mexer com dinheiro não é a área dele, ele não trabalha com isso, e ele não gasta mais do que uma hora por semana lendo ou assistindo algo sobre isso. Maria nunca pensou em nada disso – nunca leu sobre dinheiro, nunca assistiu algum vídeo sobre esse tema, nunca nem passou pela cabeça dela. João acabou entendendo de onde vem o nosso dinheiro, como a inflação funciona, e decidiu copiar algumas ideias infalíveis que protegem o dinheiro que ele ganha. Maria não fez nada disso. Ela ganha R$5000 e gasta R$4500 por mês comprando roupas, indo no barzinho com amigos, restaurantes, cinema, etc. João, por outro lado, também gastava uns R$4500 antes de começar a ler sobre dinheiro, mas ao entender como tudo funciona um pouquinho melhor, conseguiu reduzir seus gastos e agora ele gasta somente R$2500 por mês. É fato que quando você começa a ler sobre um tema, a sua cabeça naturalmente se adapta para pensar sobre esse tema em várias situações durante o dia. Ou seja: se você passa o dia vendo blogueiras querendo te empurrar produtos de beleza, a tendência é que seu cérebro te direcione a buscar essas coisas. Por outro lado, se você fez como o João, e começou a ler sobre dinheiro, naturalmente o seu cérebro passa a medir os prós e contras das suas decisões financeiras com muito mais seriedade e inteligência.

João então gasta R$2500 por mês e isso deixa ele com R$2500 sobrando na conta. Maria gasta R$4500 por mês e isso deixa com R$500 sobrando na conta. Agora, às vezes a Maria passa um pouco do limite e usa o cartão de crédito e acumula umas parcelas. Tem meses em que ela ultrapassa os R$5000 que ela ganha, mas em outros ela consegue ainda assim recuperar – sem grandes problemas. Na média, ela acaba sempre garantindo uns R$250 parados na conta, por segurança – Maria é mais esperta do que os 78% dos brasileiros que estão endividados.

João não sabe nada sobre investimentos, não tem tempo para aprender, e também não acha que conseguiria entender tudo muito bem. Mas lendo um pouquinho sobre, ele aprendeu que hoje em dia ninguém precisa saber quase nada sobre investimentos para investir bem. Ele aprendeu que existem Fundos de Investimento com performances incríveis ano após ano, e que empresas gigantescas com experts em investimentos cuidam do seu dinheiro para você por um custo ridículo de baixo – uma porcentagem do que ganharem para você. Ele então decidiu aplicar os R$2500 que sobram todos os meses em um desses fundos, que teve um retorno médio anual de 35% por ano nos últimos 5 anos. Por um ano, João aplicou certinho os seus R$2500 todos os meses, e nem olhou para a carteira de investimentos dele – largou lá, não gastou cinco minutos olhando. Quando completou 12 meses de investimento, João abriu para ver os números: ele tinha R$35.300 investidos. Ele investiu R$2500 por mês, e em cada mês ganhou em média 2,5%, já que o fundo de investimento bateu na sua média anual de 30% no ano.

Maria, que nunca nem pensou sobre dinheiro, ganhou os mesmos R$5000 que o João o ano todo, e gastou em média R$4750 por mês o ano todo. Ela se divertiu bastante, pagou barzinho para amigos, comprou um monte de roupas e sapatos, biquínis novos para o verão, comeu toda semana no restaurante japonês favorito. Ela fechou o ano super feliz e sem dívidas, com R$3000 na conta tendo economizado R$250 por mês.

Os dois trabalham no mesmo lugar. Os dois ganham o mesmo salário. Os dois têm custos fixos de vida idênticos. João terminou o ano mais de 10 vezes mais endinheirado do que a Maria. Mas mais importante do que isso: a Maria continua ganhando os mesmos R$5000 todos os meses. João, que agora tem o seu investimento trabalhando para ele, agora ganha os R$5000 do trabalho e mais R$900 por mês do investimento. João se empolga, decide repetir a mesma coisa por mais um ano sem tocar no dinheiro investido. A Maria se empolga, decide viver mais um ano igualzinho, curtindo um monte e ainda sem nem se endividar.

Passa-se mais um ano. O investimento do João rendeu igual ao ano passado, ganhando valor na mesma proporção de 2,5% ao mês, fechando o ano com 30% de ganho total. João começou o ano com R$35.300 investidos, e manteve adicionando mais R$2500 por mês o ano todo. No último dia do segundo ano, ele foi de novo ver o resultado. Ele estava agora com R$82.800 na carteira de investimento! Para a Maria, ela repetiu o ano igualzinho: curtiu um monte, aproveitou a vida, e diferente da vasta maioria dos brasileiros, nunca gastou mais do que ganhava. Ele viveu o ano igualzinho ao ano anterior, e fechou o ano com R$6000 na conta. Um ano antes, João tinha 10 vezes mais dinheiro do que ela. Agora, depois de um segundo ano de investimento, ele tem quase 14 vezes mais dinheiro. Mas mais interessante do que isso: a Maria continua ganhando R$5000 por mês. O João agora ganha os R$5000 do salário, e o investimento dele rende R$2.100 por mês adicionalmente.

Mais um ano se repete exatamente igual para os dois – o terceiro ano. João seguiu investindo os R$2500 mensalmente, e o investimento dele rendeu os 2,5% ao mês. Ele fechou o terceiro ano com R$146.700 na carteira de investimento. Maria viveu mais um ano numa boa e despreocupada, não se endividou, e fechou o ano com R$9000 na conta. Agora João tem 16 vezes mais dinheiro do que ela. A Maria ganha os mesmos R$5000 por mês. O João segue ganhando os R$5000 do salário, e agora o investimento dele já rende R$3.700 por mês adicionalmente.

No quarto ano, mudanças para o melhor acontecem. João e Maria são promovidos na empresa. Eles agora ganham R$6500 por mês.

Maria, que já tinha R$9000 na conta sobrando, e estava acostumada a gastar R$4750 todos os meses, decide fazer uma viagem especial para comemorar seu aniversário agora que ela está ganhando um salário maior. Ela gasta metade dos R$9000 que tinha guardado, e parceladamente ela gasta R$1500 a mais por mês pagando a viagem durante o ano. Ela tem o salário de R$6500, mas continuou fechando cada mês com R$250 de economia depois de todos esses gastos. Subtraindo metade dos R$9000 que ela tinha guardado, ela terminou o quarto ano com R$7000 na conta. Nada mal, né? O salário maior permitiu viver coisas diferentes. Ela não se endividou, e fechou o ano com a conta bem positiva. Foi um ótimo ano para a Maria, e a maioria dos amigos dela, que estão endividados, tratam ela como se ela fosse a mais rica do grupo, a única que sempre tem dinheiro para todos os rolês.

João se tornou ano após ano mais orgulhoso do seu investimento e das suas decisões. Agora ele já lê esporadicamente sobre dinheiro há quatro anos – ele sabe muito mais do que sabia no começo da história. Com essa bênção do aumento do salário, ele sente que é um sinal de que está remando no caminho certo! Agora ganhando R$6500, ele decide investir R$3500 por mês, e usar os outros R$3000 para dar um pequeno upgrade nas coisas que faz no dia a dia.

O quarto ano da história chega ao fim. Maria, como falamos, terminou o ano com R$7000 na conta. João manteve o mesmo investimento em que não precisa nem olhar e nem saber como funciona, e teve os mesmos 30% de retorno no ano, agora botando R$3500 todos os meses. Ele fechou o quarto ano com R$232.600 na conta de investimento. Ele agora tem 33 vezes mais dinheiro do que a Maria. Ela ganha R$6500 por mês. Ele ganha os mesmos R$6500 do trabalho, e o investimento agora rende R$5.800 por mês.

Vamos agora para o quinto e último ano da nossa historinha, quando nossos personagens completam 30 anos de idade. Nada mudou com relação ao quarto ano. Tudo se repetiu igualmente, e a Maria fez outra viagem especial para o aniversário dela, gastando metade do que tinha guardado e parcelando o resto da viagem durante o ano. Ela ainda assim não se endividou, economizou R$250 todos os meses, e fechou o ano com os mesmos R$7000. João também não mudou nada no que fazia, e tudo fluiu exatamente igual ao ano passado. João foi olhar o seu investimento ao completar o quinto ano: ele agora tem R$348.100 investidos. Maria ganha os R$6500 por mês. João ganha os mesmos R$6500, e agora mais R$8.700 por mês do investimento. Dos 25 aos 30 anos de idade, João e Maria saíram da exata mesma posição financeira, para agora João ter 50 vezes mais dinheiro do que a Maria, e ganhar por mês mais que o dobro dela!

Agora, aos 30 anos de idade, Maria segue trabalhando, ganhando os R$6500 por mês e gastando R$6000 por mês “curtindo a vida”. João ganha R$15.200 por mês, está acostumado já faz 5 anos a gastar uns R$2500 por mês, e decide que agora ele vai “curtir a vida” gastando R$8000 por mês despreocupadamente. A Maria vai seguir guardando R$250 por mês. O João, que agora vai gastar mais do que ela aproveitando a vida todos os meses, ainda vai estar guardando uns R$6500 por mês – basicamente tudo o que a Maria ganha!

Você vê como o quanto a pessoa ganha não quer dizer nada? O resultado vem da inteligência financeira de cada um. Maria é analfabeta financeira. Ela não sabe nada, nunca pensou sobre. João se tornou inteligente financeiramente, e isso fez ele atingir uma classe social que a Maria nunca vai atingir na vida toda.

Nessa historinha que eu inventei, falamos somente de 5 anos de vida dessas pessoas. Nós sabemos que 5 anos passam voando. Imagina se eu continuasse a história por 10, 15, ou 20 anos? João será um multi milionário ganhando mais de R$1 milhão por ano sem trabalhar. Maria vai estar ganhando os mesmos R$6500 por mês. O João vai comprar a empresa onde a Maria trabalha e pagar o salário dela.

A maioria vai falar que o João “deu sorte”. A maioria vai falar que o João é “privilegiado”. A maioria vai falar que o João “sempre entendeu bastante sobre dinheiro”. A maioria vai estar pobre, endividada, reclamando do preço dos alimentos e do combustível, e invejando a “sorte” do João. O João vai saber de tudo isso, vai olhar para todo mundo ferrado, não vai nem ligar se o preço do restaurante top que ele janta aumentou ou se a gasolina do carrão dele dobrou de preço, vai bocejar de preguiça dessa galera, e embarcar para Dubai.

6 comentários sobre “Saber gastar é o segredo do dinheiro

  1. Bem legal!! Bem didático!! Gostei!!! Muito claro os exemplos do que a gente faz ou nao faz com dinheiro. Verdade, vemos mesmo os exemplos de Michael Jackson, Mike Tyson, dentre outros.

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