Sobre o que levamos desta vida

Todos nós somos formados por dois elementos: corpo e alma. O primeiro é material; o segundo, espiritual. O primeiro é parte da criação visível, e percebido através dos sentidos; o segundo, é parte da criação invisível, e percebido através da fé. Dessa realidade ninguém escapa – não importa a sua “visão de mundo” ou a sua “opinião” a respeito disso. A realidade não liga para os seus sentimentos.

O corpo, que é material e percebido através dos sentidos, é por natureza companheiro do mundo material e destinado a permanecer neste mundo material. O homem foi criado a partir da terra deste planeta, e inevitavelmente sempre retorna para a terra deste planeta, onde reside até absolutamente se tornar parte dela novamente, sendo imperceptível para os nossos sentidos discernir se nesta terra houve um dia um corpo sepultado ali ou não. Moral da história do corpo: deste mundo material ele nasce, deste mundo material ele se nutre, deste mundo material ele evolui, e por fim, neste mundo material ele repousa após a morte até se tornar indistinguível da própria terra.

Em contraste, a alma, que é espiritual e percebida através da fé, é por natureza companheira do mundo espiritual e destinada a permanecer neste mundo espiritual. A alma foi assoprada pelo Criador dentro do nosso corpo material, onde reside durante a permanência da vida material do corpo. Após a morte do corpo, que retorna para a terra de onde veio, a alma segue caminho também para a sua origem – o mundo espiritual do Criador, que a julgará e a destinará para a vida espiritual eterna ou do Reino dos Céus, na companhia dos santos e dos bons, ou no inferno onde residem as almas que não entenderam o sentido da vida nesta terra. Moral da história da alma: na existência de todos nós, essa é a única parte de nós que tem vida eterna, e que abandona este mundo material, esta terra, e tudo o que pertence à criação material.

Entendendo isso, fica evidente que durante esta breve peregrinação na terra, que nós chamamos de vida, existe um conflito constante entre corpo e alma – entre o que é material e o que é espiritual. O corpo, que é deste mundo, se nutre com este mundo, e permanecerá neste mundo, sempre irá puxar as rédeas da nossa vida para as coisas que o agradam – afinal, é difícil para o corpo material vislumbrar as riquezas do mundo do espírito, ao qual ele não pertence. A alma, que é do mundo espiritual, se nutre com o mundo espiritual, e viverá para toda a eternidade no mundo espiritual, sempre irá tentar puxar as rédeas da nossa vida para as coisas que lhe agradam – as coisas de mais alto valor, porque são eternas.

Se nós todos vivemos com corpo e alma, e existe essa animosidade entre eles, então entendemos que vivemos em um permanente conflito sobre qual dos dois está no comando da nossa vida. Qual dos dois está no comando da sua vida?

Ao contemplar sobre a sua vida hoje, reflita sobre isso: qual é o caminho em que a sua vida está caminhando? Qual é o sentido da sua vida? Por que você está vivo aqui hoje, neste mundo?

Muitos irão responder, mesmo com certa vergonha, que o viver tem sido trabalhar, ganhar dinheiro, e usar este dinheiro para as necessidades da vida e para diversão, entretenimento, prazeres – para “felicidade” é o que muitos dizem, sem nunca terem aprendido corretamente o significado desta palavra e ao que ela se refere. Ora, isto nada mais é do que estar vivendo a vida sob a ditadura absoluta do corpo, que subjugou a alma e a trancou na prisão de segurança máxima dentro de nós, onde sofre caladamente em regime de isolamento.

Como eu disse antes, o corpo sempre irá puxar as rédeas da nossa vida para as coisas que o agradam. Sendo o corpo material, as coisas que o agradam serão sempre materiais. Essas coisas materiais são justamente todas as coisas que pertencem a este mundo – o mundo da criação material. Se o corpo se torna o ditador absoluto da vida, então toda a vida da pessoa será direcionada para os interesses do corpo. É exatamente assim que muitos vivem a vida hoje: trabalhar neste mundo material, para ganhar dinheiro (um bem material deste mundo material), e gastá-lo com necessidades e “felicidade” deste mundo material. Ou seja: vidas assim contemplam somente a existência do corpo, e dessa forma, pessoas vivem somente metade (a metade mais baixa e de menor valor) do que Deus determinou para nós.

Pessoas assim são aquelas que adoram o lema “caixão não tem gaveta”. O entendimento disso é óbvio dentro do pano de fundo que eu expliquei acima: como elas vivem sob a ditadura absoluta do corpo, elas creem que deste mundo nada se leva, e que desta vida a única coisa de valor são as coisas materiais que agradam ao nosso corpo material. Assim como o corpo foi criado a partir da terra, e por fim retornará para a mesma terra, vivendo em todos os seus estágios de existência somente preso a este mundo material, estas pessoas vivem a vida como se tudo o que há de riqueza a ser conquistado são coisas materiais deste mundo material. “Caixão não tem gaveta” – ou seja: se existe vida eterna, desta vida aqui eu nada levo. E obviamente, isto é um tremendo engano, que só é passível de admissão por aqueles que não compreendem que nós somos corpo e alma.

Ora, como assim desta vida nada se leva? Se a vida humana é composta de corpo e alma, e tudo relacionado ao corpo pertence eternamente a este mundo material, enquanto tudo relacionado à alma pertence eternamente ao mundo espiritual, então desde sempre as únicas coisas que nós somos capazes de “levar desta vida” são os bens espirituais. Em outras palavras: o caixão tem gavetas, sim! O que você conquistar na vida que pertence ao corpo, com o corpo será abandonado aqui neste mundo; o que você conquistar na vida que pertence à alma, com a alma você levará para a vida eterna – essas são as gavetas do caixão!

É por esta falta de entendimento que pessoas que vivem somente a vida de acordo com o corpo têm certa obsessão por “gerar herdeiros”. Afinal, se na compreensão de vida delas o “caixão não tem gaveta”, então é absolutamente necessário ter herdeiros que darão continuidade a esta vida material – os herdeiros são a única gaveta do caixão destas pessoas. Em outras palavras: apesar de viverem somente a vida do corpo, escravas do mundo material, estas pessoas ainda sentem o incomodo da alma que aponta para a vida eterna. Mas com a alma devidamente destruída e abandonada no porão mais profundo, sob mando do corpo, o máximo que estas pessoas conseguem vislumbrar sobre vida eterna é a continuidade das posses materiais deste mundo nas mãos de herdeiros – esta é a versão de vida eterna que estas pessoas são capazes de entender.

Enfim, nesta vida todos nós temos duas formas de viver: a vida do corpo, e a vida da alma. Com a vida do corpo, aqui neste mundo tudo se faz, e aqui neste mundo tudo acaba; com a vida da alma, tudo feito neste mundo permanece contigo por toda a eternidade.

Quando o corpo morre e retorna para a terra de onde veio, a alma lhe olha de cima para baixo, dá um adeus sem palavras, e ascende para a vida eterna sem olhar para trás por um segundo. A alma escapa daquela prisão e isolamento, e vive na única liberdade que é verdadeiramente livre – na única felicidade que é verdadeiramente feliz e plena, para sempre. O corpo, por sua vez, deixa de existir – retorna para a terra, sem nada, o local onde depositou todas as suas fichas.

6 comentários sobre “Sobre o que levamos desta vida

  1. Que explicação maravilhosa Fernando. Essa é mesmo a reflexão que temos q fazer o tempo todo.
    Que Deus continue lhe abençoando e ungindo com as palavras e pensamentos!!💚💚

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  2. Achei bem interessante sua reflexão! É uma dádiva estar vivo e entender claramente que é através do corpo, nosso templo sagrado, que temos a oportunidade valiosa de manifestar o propósito, em sentimentos e atitudes, para a evolução e continuidade dos nossos espíritos pela eternidade… fica tudo registrado e vai sendo somado em nossa energia, nada se perde. O sábio equilíbrio matéria/espírito e a qualidade do resultado destas manifestações em vida, são a grande chave da felicidade e o sucesso neste processo, creio.

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