
Guerra com o Irã
Como estamos aqui em Dubai
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Depois de muito tempo, retorno aqui brevemente com mais um “post pessoal”.
Eu e a minha família moramos aqui em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, desde 2020. Com base no início dessa nova fase da guerra entre “Israel” e Irã – com ênfase em fase da guerra porque a guerra em si está em andamento faz alguns anos –, e lendo tanta desinformação camuflada de informação na mídia brasileira, algo notável até nas perguntas que meus amigos e conhecidos me tem feito sobre o que está acontecendo aqui, decidi escrever esse breve post para contextualizar algumas coisas verdadeiramente importantes.
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O início dessa fase da guerra
O Sultanado de Omã estava conduzindo as negociações entre Estados Unidos e Irã, porque Omã sempre esteve verdadeiramente neutro nessa guerra, e eles possuem objetividade e interesse de paz na região. No sábado de manhã (horário aqui de Dubai), o Ministro do Exterior de Omã publicou uma carta informado que as negociações foram muito positivas, e que um acordo havia sido firmado, em que o Irã concordou em zerar seu enriquecimento de urânio, e que na quinta-feira, 5 de março, Estados Unidos e Irã voltariam para a mesa de negociação sobre outros temas relevantes para impedir o prosseguimento do conflito.
Exatamente meia hora depois da publicação dessa carta por Omã, “Israel” iniciou os ataques contra o Irã – inicialmente, sozinhos, sem os Estados Unidos. O primeiro ataque foi no palácio do Aiatolá Supremo, que foi assassinado; o segundo ataque foi na escola infantil feminina de Minab, que matou mais de 150 meninas de 9 a 14 anos de idade. Que o Nosso Senhor, Jesus Cristo, as receba, as primeiras mártires dessa fase da guerra.
Com o início dos ataques por “Israel”, os Estados Unidos foram forçados a entrar também. O que não se sabe é: “Israel” deu mais uma facada nas costas dos americanos, ignorando as negociações e forçando a guerra a explodir de vez? Ou os Estados Unidos estavam negociando em má fé e nunca realmente houve a possibilidade de não atacarem o Irã? Uma coisa, ou outra, aconteceu.
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A resposta do Irã
De certo, Estados Unidos e “Israel” subestimaram a resposta militar do Irã e a reação do povo iraniano. O esperado, segundo as palavras do Trump, era que o “regime cairia de imediato” e que o “povo iraniano tomaria o poder”. Nem uma coisa, e nem a outra, aconteceram assim.
O Irã respondeu atacando “Israel” e todos os interesses americanos e sionistas na região inteira – 24 alvos em 8 países simultaneamente. As bases americanos no Bahrein, Catar, e Kuwait foram destruídas e evacuadas, com os equipamentos de guerra abandonados a céu aberto, sendo destruídos um a um pelo Irã. São três países essenciais usados pelos Estados Unidos para estabelecer controle do espaço aéreo aqui na região.
Paralelamente, dois milhões de pessoas saíram às ruas de Teerã em homenagem ao Aiatolá assassinado, jurando amor à República Islâmica, e gritando em coro “Morte aos Estados Unidos”. Hoje, três dias depois, ainda não houve nenhuma manifestação contra o governo iraniano nas ruas no Irã – absolutamente nada!
Ou seja: as duas promessas do Trump foram por água abaixo em menos de 48 horas.
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Sobre nós aqui em Dubai
Finalmente, falando da nossa experiência pessoal aqui no centro de Dubai: tensão no ar (literalmente “no ar”) e apreensão sobre o que virá nos próximos dias.
O Irã está atacando todo e qualquer interesse militar e de espionagem americano e sionista identificados aqui. O Porto de Jebel Ali, o maior da região, foi atacado algumas vezes e ontem ao fim do dia teve suas operações suspendidas. Esse porto é sempre usado pelos Estados Unidos para o reabastecimento de combustível e alimentos dos seus navios de guerra – agora, o porto está inutilizado para estes fins. Alguns locais públicos usados pelos sionistas para encontros e reuniões foram atacados também. A base militar americana de Abu Dhabi tem sido bombardeada de hora em hora e já não está participando mais de missões de ataque ao Irã.
Aqui onde moramos, em bairro residencial, o que ouvimos são os drones e mísseis sobrevoando a cidade e geralmente sendo abatidos pelos jatos de guerra americanos lá bem alto no céu. Sim, alguns pedaços de mísseis e drones abatidos por eles caíram aqui no meio da cidade, e três pessoas já morreram sendo atingidas. Mas, quanto a isso, não há muito que possa ser feito. Aparentemente, a partir da manhã de hoje, os jatos americanos estão tentando abater os mísseis e drones por cima do mar, antes de entrarem em terra aqui nos Emirados. Apesar dessa promessa, hoje cedo tivemos as explosões mais severas aqui nos céus perto de casa, até tremendo todas as janelas. Dito isso, obviamente a nossa situação permanece bem tranquila, quase “vida normal”, eu diria.
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O que esperar dos próximos dias
Ontem o Trump buscou, através de uma via diplomática intermediada pela Itália, negociar um cessar-fogo entre eles e o Irã. O Irã rejeitou qualquer contato diplomático com os Estados Unidos, e nenhuma conversa foi iniciada.
“Israel” obviamente precisa dos Estados Unidos nessa guerra. Sozinhos, o Irã poderia eventualmente apagá-los do mapa do mundo, se tivessem esse interesse (não creio que o interessa exista, porque existem certas vantagens para o Irã em ter “Israel” ainda existindo como um “inimigo perigoso”). Na última fase da guerra – aquela que durou 12 dias – os Estados Unidos pularam fora do conflito assinando um cessar-fogo com o Irã independentemente de “Israel”. “Israel” só possuía mais seis ou sete dias de munições de defesa contra o Irã, e depois disso a destruição da entidade sionista seria devastadora. Os lobbies sionistas conseguiram integrar “Israel” dentro do cessar-fogo, e o Irã aceitou. E dessa vez, como será?
O Irã diz estar preparado para manter esse ritmo de ataques contra americanos e sionistas por mais de um ano, sem pausas. “Israel”, todos sabemos, não tem a capacidade de sustentar uma guerra desse nível nem por alguns meses. O Pentágono, hoje cedo, comunicou que a guerra não deverá ter fim antes de pelo menos quatro semanas – seria próximo ao limite que “Israel” aguentaria.
A intenção é derrubar a República Islâmica e substituí-la por um governo-fantoche submisso aos interesses de poder de “Israel” – o dinheiro do pagador de impostos americano, e de supostos “cristãos-sionistas” (sim, existem muitos desavisados desse jeito), está sendo gasto para essa finalidade. Quatro semanas, portanto, é o tempo que o Pentágono estima que eles têm de janela para ver isso se materializar. Mas, por enquanto, o Irã parece absolutamente fortalecido, enquanto instalações militares de “Israel” e dos Estados Unidos estão sendo inutilizadas uma atrás da outra.
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Minha opinião
Agora, minha opinião – e com “opinião” eu reforço que se trata de algo sem uma verdade estabelecida ou capaz de demonstração. É o que eu acho, com base em experiências e faltas de experiências, e nada mais do que isso.
“Israel”, logo após ao ataque que martirizou as meninas iranianas, disse que essa seria “a última guerra do Irã”, no sentido de que eles seriam “apagados do mapa”. O Irã respondeu concordando que “sim, essa será a última guerra do Irã, porque ou nós seremos apagados do mapa, ou ninguém nunca mais terá a audácia de nos atacar”. Pois bem, essas parecem ser duas eventuais formas de terminar a guerra, estabelecidas pelos dois principais participantes.
Como Cristão, Católico, e residente permanente dos Emirados Árabes Unidos, aqui no Oriente Médio, eu sei que a entidade sionista – que se autointitula de “Israel” – é o grande ameaçador e o grande inimigo da minha Igreja, da minha família, e desse país que eu amo e escolhi morar.
A mídia brasileira, sionista por natureza e por financiamento, nunca vai permitir que o “brasileiro comum” entenda essa realidade. Se vocês forem conduzidos a perguntar as perguntas erradas, não há nenhum risco nas respostas que vocês encontrarão. Essa é a verdadeira situação.
Sobre isso, basta saber: os sionistas brasileiros que possuem dupla-cidadania do Brasil e de “Israel” servem em qual exército? No brasileiro, ou no de “Israel”? Sim, eles servem somente em “Israel”. Mas, como “Israel” é um lixo de se morar, eles moram aí no Brasil, se passando de brasileiros. Mas na guerra de genocídio de Gaza, quantos “brasileiros” foram enviados para matar gente na Palestina? E agora, “Israel” iniciou a convocação de reservistas novamente: quantos “brasileiros” estão a caminho dessa guerra também? Isso porque eles não são brasileiros, e não estão nem aí para o Brasil, além de viverem uma vida em paz de riquinhos confortáveis longe do lixo que seria morar em “Israel” permanentemente.
Para finalizar: para um Cristão, não existe “tomar partido” em guerras. É perda sobre perda, sempre. Um Cristão busca a paz sempre – em imitação aqui em vida, e em realidade na eternidade. Rezamos então pelos inocentes, que são pegos no meio dos interesses de poder dos inimigos de Deus. Que Deus os receba, e que eles intercedam pela paz aqui embaixo.